Quando a Humilhação é Assédio Moral? O que Fazer? E se acontecer no trabalho?

Ainda há quem acredite que na relação de trabalho abusos podem ser cometidos sem nenhum tipo de punição, o assédio moral é uma realidade tão frequente e presente nas empresas que quem sofre muitas vezes desconhece que não precisa ser assim, e que é possível reverter a situação com o apoio da lei.

Mas, o que é assédio moral?

É quando um trabalhador é exposto continuamente a situações constrangedoras ou humilhantes.

É mais comum em relações de longa duração, pode acontecer a partir de um único chefe, ou de um grupo de chefes, e pode ser dirigida a um subordinado ou a um grupo de subordinados. A consequência disto, muitas vezes é a demissão voluntária por parte do funcionário que desiste do emprego.

Toda humilhação é assédio moral?

Não, uma humilhação isolada não caracteriza assédio moral, mas não é justa ou aceitável da mesma forma. A humilhação é algo muito mais subjetivo, porque requer que a vítima se sinta magoada, perturbada. É a sequência deste sentimento, a continuidade da ação que causa este constrangimento que pode ser tratado como um caso de assédio moral.

Por exemplo, quando o gerente destrata um funcionário publicamente uma única vez, em uma situação isolada, mesmo que o funcionário se sinta humilhado e magoado, isto não é assédio moral. Mas, quando regularmente o funcionário é destratado e humilhado pelo gerente, isto sim é considerado um caso de assédio moral.

Quais as consequências do assédio moral no trabalho?

A experiencia de ser continuamente diminuído por seus superiores causa danos que vão de leves a graves, chegando a constar inclusive, como causa de suicídio em 16% dos casos de assédio moral no público masculino. Nas mulheres, os índices são maiores nas crises de choro e depressão. Sendo causa maior no abandono de emprego e demissões, onde a funcionaria sai da empresa deixando para trás seus direitos trabalhistas, apenas para se ver livre da condição humilhante em que se encontra.

O contagio do assédio moral por outros trabalhadores

Começa com a relação entre chefes e funcionário, que como vítima, é isolado do grupo, passa a ser hostilizado, ridicularizado, e desacreditado diante dos outros funcionários.

Neste momento, os outros funcionários, por receio de sofrerem o mesmo tratamento ou de perderem o emprego, aliados a competitividade, acabam por também romper os laços com a vítima, além de muitas vezes, reproduzirem o tratamento que o superior produz. Há o que se chama de ’pacto da tolerância e do silêncio.

Quais as características de um assédio moral?

  • Repetição constante
  • Ter uma intenção, como forçar o outro a abrir mão do emprego
  • Ser dirigido a uma pessoa, ou a um grupo especifico.
  • Degradar as condições de trabalho, tornando o funcionário improdutivo e desacreditado.
  • Periodicidade, ocorre durante o expediente, e dura por dias e meses

Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.

Quais os tipos de assédio?

  1. Assédio descendente:Busca desestabilizar o trabalhador, o fazendo crer que está sempre em débito com a empresa, é também o tipo de assédio mais comum. Cometido de forma vertical, da chefia para o subordinado.
  2. Assédio ascendente: Mais difícil de encontrar, é feito por um grupo de subordinados que começa a desestabilizar a chefia, fazendo o mesmo tipo de comportamento – atitudes que constrangem e isolam.
  3. Assédio paritário:Acontece geralmente quando alguém obtém sucesso e se torna alvo da inveja alheia, os agressores que se sentem ameaçados isolam a vítima. Geralmente é feito por colegas de serviço, ou de um chefe que se sente ameaçado.

Ninguém está a salvo.

Não há um perfil de agressor, que esteja realmente claro. Pessoas autoritárias e com sede de poder costumam ser agressores mais frequentes, mas não é a regra. Assim, como não há um perfil de vítima.

É, no entanto, muito mais fácil denegrir a imagem de alguém que já possui características que estimulem o preconceito. Como cor, orientação sexual, classe social, ideologia ou religião. Assim, agressor tem um campo maior de ataque, e pode incentivar os outros a terem parte no assédio também, como se pudesse legitimar a ação.

O que a vítima deve fazer?

Além de resistir e ter muita resiliência, é preciso ter em mente algumas estratégias para lidar com este tipo de assédio.

  • É bom tomar nota, documentar as humilhações sofridas, com o maior número de detalhes que puder. Coisas como data, horário, local, nome do agressor, colegas que testemunharam a agressão.
  • Conversar e buscar apoio dos colegas que testemunham a agressão, é preciso lembrar que a testemunha de hoje pode ser a vítima de amanhã.
  • Evitar ter alguma conversa com conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
  • Sempre que possível, exigir do agressor uma explicação por escrito do ato, e permanecer com uma cópia.
  • Procurar o sindicato, relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato.
  • Buscar apoio no Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos.
  • Buscar da família e dos amigos fora do serviço. O apoio e fortalecimento da autoestima é fundamental neste processo.

Se você é vítima de assédio, saiba que você não está só. E não deixe que o agressor ganhe poder com seu sofrimento.

Se você é testemunha de agressão, não fique calado. Supere o medo e procure, juntamente com a vítima, ou mesmo isoladamente, o RH da empresa. Lembre-se que neste processo, silenciar não ajuda, e ainda dá poder ao agressor.

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