Entenda o que é a Esquerda na política: o que defende, partidos e história.

Recorrentemente, podemos observar, tanto em discussões entre políticos de carreira quanto entre formadores de opinião pública ou mesmo pessoas comuns, os termos “direita” e “esquerda” sendo utilizados para qualificar ou desqualificar a postura político-ideológica de uns e de outros.

O que é a esquerda?

Entenda o que é a Esquerda na política: o que defende, partidos e história.

A ideologia de esquerda defende que o governo deve garantir o bem das pessoas e, para isso, ele precisa ser grande e forte, controlando todos os setores da sociedade, regulando as empresas e cobrando impostos. Já a esquerda, por muito tempo, tem sido conhecida como a ideologia política que representa o socialismo, a democracia e o comunismo.

Origem

As ideologias de esquerda e direita foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir o poder da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa, que ocorreu entre 1789 e 1799.

Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação dos mais pobres e permaneceram sentados todos juntos do lado direito do local, preferindo não se misturar. Por isso,o lado esquerdo foi associado à luta dos trabalhadores e ao direito ao conservadorismo.

Dentro dessa visão, ser de esquerda presume uma luta pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e das minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual.

Para Norberto Bobbio, filósofo político, embora os dois lados busquem reformas, uma grande diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social, enquanto a direita trabalha pela liberdade individual.

No mundo, o cenário político se abriu após a queda do Muro de Berlim, em 1989, que pôs fim à polarização de EUA x URSS. Várias espectros políticos surgiram e hoje apenas os termos esquerda e direita não englobam toda a diversidade política do século XXI.

Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias. Hoje, nos partidos de esquerda, temos os socialdemocratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema esquerda, temos movimentos simultaneamente igualitários e autoritários.

Ao longo do Século XX, parte do pensamento da esquerda foi associado a bases ideológicas, como Marxismo, socialismo, anarquismo, desenvolvimentismo e nacionalismo anti-imperialista, que se opõe ao imperialismo.

O que acredita a Esquerda?

Um tema fundamental é a economia. A esquerda prega uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda. Um grande “inimigo” é o neoliberalismo, que tem como consequência a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado – o que gera mais desigualdade social.

A esquerda acredita que a sociedade fica melhor quando um governo tem um maior papel, garantindo direitos e promovendo a igualdade entre todos.

Nos temas morais, a Esquerda defende avanços nas legislações de direitos civis, sendo que temas como aborto, casamento gay e legalização de drogas são algumas de suas bandeiras.

Valoriza os indivíduos altruístas e dispostos a se conformar com a coletividade. A sociedade deve oferecer segurança social aos indivíduos, independentemente de sua condição ou de suas ações. Promove a igualdade social, opondo-se a qualquer tipo de desigualdade considerada injusta, principalmente as desigualdades econômicas. Considera que a sociedade, como um coletivo, deve agir em benefício daqueles em desvantagem relativa a outros dentro da mesma sociedade.

Liberal e Conservador

Antigamente, os conceitos de liberal e conservador estavam ligados à permanência ou não do sistema político vigente. Enquanto os conservadores desejavam a permanência da monarquia, os liberais queriam a sua queda. Porém, com a instauração da democracia, os termos liberal e conservador passaram a serem mais utilizados para definir outras pautas dos grupos, sejam elas no contexto social ou econômico.

Quando se trata do contexto social, os conservadores têm uma visão mais protetiva e tradicional, se opondo a pautas como casamento gay, legalização das drogas, aborto e migração. Em contrapartida, os liberais costumam apoiar essas pautas.

Já as pautas como a pena de morte e a legalização das armas, geralmente são apoiadas pelos conservadores e refutadas pelos liberais.